quinta-feira, 29 de março de 2012

Ameaça de Parto Prematuro

Relato do meu internamento

Dia 1 - 20 de Março de 2012

15h00

Quando me levantei esta manhã não previa um dia alegre. É sempre assim no meu dia de anos. Fico nostálgica...e desde que vivo fora do país, mais ainda.
Nas primeiras horas do dia comecei a receber mensagens de parabéns e as lágrimas iam caindo pelo meu rosto a cada uma que lia.
Como estava previsto fomos desfrutar do melhor presente que podia receber - a ecografia do terceiro trimeste. E foi aí que o meu dia (e toda a semana) rigorosamente programados, deram uma volta de 180ºC.
Uma vez que começamos a ver a imagem da pequenota informam-me que apesar de o seu tamanho estar bem ela está magrinha, então derivam-me para as urgências para que possam avaliar o seu estado. Pode tratar-se apenas de uma bebé pequena ou pode haver algum problema com o aporte de nutrientes da placenta para ela.

Saio do consultório com a frase "É só para vigiar". Acontece que coincidência das coincidências, no momento em que colocam o monitor e a bebé começa a dar um ar da sua graça com pontapés e murrinhos, o meu útero resolve ficar invejoso e começa a contrair-se mais do que o normal. Até então já tinha tido estas contracções normais desta fase da gravidez, mas nesse momento o registo mostrava-as frequentes (cada 2-3 minutos – que eu pensava ser cada 10 minutos) e intensas (embora eu em nenhum momento sentisse dor).
Perante este quadro, a primeira decisão tomada foi iniciar hidratação intravenosa por suspeita de desidratação do útero. Mas, finalizada a primeira garrafinha de soro a situação mantinha-se. Então a ginecologista decidiu fazer exploração vaginal. Resultado: colo do útero mole e 1 cm (amplo) de dilatação. Conclusão: a menina magrinha quer sair já!
Depois de realizado um eco-doppler ao cordão umbilical (verificando que não há problemas), outra ecografia e tendo em conta que 34 semanas e 3 dias é cedo para uma bebé tão pequenina nascer, decidem iniciar um tratamento para “travar” o parto e outro para acelerar a maturação dos pulmões dela, assegurando o seu amadurecimento no caso de não ser possível atrasar o parto.
Uma vez iniciada esta medicação, as contracções cederam. Eu sentia-me melhor, mas fui emocionalmente derrubada com a notícia de que o dito tratamento era uma perfusão de 48h o que implicaria o meu internamento.
O primeiro que pensei foi: “não pode ser, eu tenho muitas coisas para fazer, é o meu dia de aniversário, amanhã recebo as minhas amigas em casa para comemorar, no fim de semana tenho visitas de Portugal...” mas claro, tudo isto passou para segundo plano e acabou suspendido.

00h05

Estou cansadíssima e entretanto já passou o meu dia de anos.
Apesar de tudo tive o privilégico de estar com Ele o tempo todo, de o acalmar e mostrar que ambas estamos bem. Tive as palavras de apoio dos que estão longe e o carinho dos que estão perto que me trouxeram um bolo e me cantaram os parabéns!
A ti Emma tenho a declarar: és uma malandra, só me queres roubar protagonismo. Hoje era o meu dia e agora também será lembrado com este susto, a tua ameaça de chegada. Quero muito ver-te e encher-te de miminhos mas tens de estar aí mais algum tempo para saires forte e para mão te levarem numa incubadora. Por isso, peço-te, espera mais um bocadinho.


Dia 2 - 21 de Março de 2012

Contámos todas as horas esta noite. Não porque estivessemos mal, mas pelas condições climatéricas que faziam. Tanto calor! Com o frio que fazia lá fora e aqui o aquecimento posto tão forte como se estivessemos no caribe...Cheguei a desejar com muita força puder sair à rua e sentir na cara o frio invernal que a primavera nos trouxe.
Agora so olhos estão cansados. O corpo não sente mas a cabeça está desgastada.
A visita médica desta manhã foi agradável e bastante esclarecedora. Temos que esperar que se cumpram as 48h de tratamento até amanhã e ver a evolução uma vez que seja retirado.
O ginecologista informou-me que por um lado as contracções podem ceder e a bebé pode aguentar até às 40 semanas ou, por outro lado, se estas continuarem teremos que deixar a natureza actuar. Se dentro do meu ventre a placenta não lhe está a fornecer tudo o que ela necessita para continuar a crescer e engordar, se calhar ela estará melhor cá fora do que aqui dentro. Portanto, estando tudo me aberto até conhecermos a evolução de amanhã, tenho que ir pensando e assimilando a possibilidade de que ela quer e tem mesmo de sair independentemente de que o seu destino seja a incubadora, por mais assustador que seja para os papás.

Tenho que realçar que me sinto muito tranquila e segura desde o princípio. Sei que tudo está a acontecer assim por algum motivo e confio nos profissionais que me estão a cuidar.


Dia 3 - 22 de Março de 2012

12h00

Ontem a tarde foi agitada com as visitas. Vieram prendas, miminhos, sorrisos, apoio e as últimas fofocas do trabalho para me distrair.
Quando a noite chegou eu estava tensa sobretudo ao nível da barriga. Perante a dúvida levaram-nos outra vez à monitorização e felizmente tratava-se de um falso alarme.
Dormimos bem os 3.
Estou à espera que o médico venha e me dê novidades, embora tenha consciência que até às 13h30 (hora a que termina a perfusão) não vamos ter alterações e depois disso será ele quem espera novidades da minha parte.
Não estou nervosa, mas é inevitável não estar expectante. De acordo com a evolução vou para casa ou dou à luz e levam a minha babé para uma incubadora. Essa incerteza é que me deixa uma ténue ansiedade, mas muito ténue, de verdade. Não me imaginava tão calma numa situação como esta. De facto só sabemos como reagimos a uma situação quando a vivemos porque temos forças que desconhecemos até precisarmos delas.

16h00

Desde as 13h30 que estou livre de medicação. Até agora senti algumas contracções normais e cederam rapidamente. Contudo tenho sensações que não sei identificar correctamente. Se calhar é o útero, ou é ela a esticar-se, ou é o intestino que anda às voltas pelos nervos... Não me quero alarmar já até porque sei que existe um forte componente psicológico que me deixa a sugestão de sentir tudo e mais alguma coisa. Portanto vou esperar e continuar a descansar. 

Dia 4 - 23 de Março de 2012

8h00

Parece que a Emma se está a aguentar cá dentro. Mantenho contracções normais, breves e pontuais. A única alteração que verifiquei foi no meu peito.
Desde ontem que as minhas mamãs parece que vão explodir e não me pára de sair leite espontaneamente. Parece que o meu organismo respondeu de seguida ao iníco do trabalho de parto e as mamas prepararam-se para alimentar a bebé. Resulta que ela ainda cá está dentro e não sei o que fazer a este leite!
Estamos à espera do novo controlo de actividade fetal e das contracções para que o médico nos diga o que se segue.

19h40

Já estamos em casa. Apesar das contracções sentidas esta manhã não nos impediram o regresso.
Regressamos com as mamas a explodir e a indicação de não estimular, apenas esperar que passe.
Temos uma ecografia marcada para dentro de 10 dias. Se até lá a Emma não fôr ganhando peso os médicos equacionarão induzir o parto, mas isso logo se verá.

Por agora tenho que estar em repouso relativo, investir na ingestão de proteínas para ajudar o seu crescimento e manter-me atenta às contracções. Se forem mais intensas e frequentes terei que correr até ao hospital. Se não, é só continuar a desfrutar desta bela gravidez sem mais acidentes de percurso.

Sem comentários:

Enviar um comentário