A morte é um tema com que lido diariamente.
Trabalhar num serviço de oncologia faz dessas coisas.
Em espanhol explico todos os dias o que se está a passar, lembro o pouco que ainda podemos fazer.
Vejo-os partir. Primeiro o paciente, depois a família.
Mas eis que se colocou um problema. Eles são portugueses. Eu quero falar mas em português não sai.
Parece que ao falar espanhol uso um escudo que me dá força para discursar palavras tão verdadeiras quanto duras num momento tão delicado e doloroso.
Quando as quero pronunciar em português falta-me esse escudo. E mais, ao ouvir-me em português, apercebo-me do peso que têm. E do quanto me faz falta a máscara espanhola para ultrapassar a dor desse momento.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
Triste realidade

"O povo saiu à rua para festejar a vitória do Benfica e eu, que sou benfiquista, achei muito bem. As pessoas têm o direito de ficar alegres.
O povo saiu à rua para ver o Papa e eu, apesar de ser agnóstico, não acho mal. As pessoas têm direito à sua fé.
O povo vai à Covilhã espreitar a selecção e eu, apesar de não ligar nenhuma, não acho mal. As pessoas têm direito ao patriotismo.
O governo escolhido pelo povo impõe medidas de austeridade, umas atrás das outras, aumentando os impostos e não abdicando dos mega investimentos.
O povo não reage. Não sai à rua.
Reclama à boca pequena e cria grupos zangados no Facebook.
É triste que este povo, que descobriu meio mundo, não imprima à reivindicação dos seus direitos a mesma força que imprime à manifestação das suas paixões."
Pobreza...
"Um país onde se admite a possibilidade de taxar o subsídio de Natal, ou mesmo acabar com ele, mas que gasta de dinheiros públicos para TGV, altares, estádios de futebol, frotas milionárias para gestores públicos, reformas obscenas a quem trabalha meia dúzia de anos ou nem tanto, etc... é um país pobre, de facto"
...mas de espírito, antes de mais.
Recebi este e-mail e fiquei triste com a verdade que estas palavras escondem...
Subscrever:
Mensagens (Atom)