Estou na paragem de autocarro à espera do segundo que necessito de apanhar para chegar a casa e o telemóvel toca. É ele. Não sabe onde meteu a carteira. Eu também não e pouco posso ajudar porque estou a metade do caminho do trabalho e a metade do caminho de casa. Trocamos banalidades e despedimo-nos com um breve até já.
Basta desligar a chamada para que a figurante que se encontra sentada ao meu lado desde que cheguei suspire: "ah é sempre bom ouvir falar português!" com sotaque de português do Brasil.
Qual não é o meu espanto. Menos mal que a conversa foi de trivialidades. Pelos vistos as paredes têm mesmo ouvidos e nunca se sabe quando está um conterrâneo a escutar.
Posto isto, eu ainda estou 5 minutos a olhar para o telemóvel porque com o sono que se assoma não me apetece fazer conversa de circunstância. Mas a figurante quer fazer parte da cena principal e começa a falar de tudo-e-mais-alguma-coisa. Viveu em Portugal, adora Portugal, prefere Portugal ao Brasil, o marido é finlandês, viaja muito em trabalho e só falam entre si em português...bla bla bla...
Quando baixa do autocarro desculpa-se por falar muito, eu reconheço que sou mais calada nestas situações e concluimos que estas características também são inerentes aos nossos países de origem. Trocamos votos de felicidade e cada uma segue a sua vida.
No percurso que me resta penso que não me posso esquecer que apesar de estar em Madrid, às vezes posso dar a conhecer mais do que aquilo que devo e quero, com uma simples conversa ao telemóvel porque nós portugueses estamos em todo o lado!
Sem comentários:
Enviar um comentário